Má alimentação, estresse e sedentarismo. Os hábitos bem pouco saudáveis da vida moderna fazem aumentar os números de casos mais graves como o infarto na população brasileira.
Um levantamento inédito feito recentemente pela Sociedade Brasileira de Cardiologia desvendou uma realidade alarmante: um quinto dos brasileiros, ou seja, 38,9 milhões de homens e mulheres apresentam colesterol alto. “Para se ter uma idéia da gravidade da questão, basta ver que estamos bastante próximos dos EUA, os primeiros do mundo em taxas elevadas” explica o médico cardiologista, Dr. Alexandre Alessi. Por lá, 25% dos americanos estão na faixa de risco. Um levantamento importante apresentado na ocasião do Dia Nacional de Combate à Pressão Arterial, comemorado ontem em todo o país.
Na faixa etária entre 45 e 54 anos, quase um terço da população, está propensa a problemas cardiovasculares graves, tem colesterol acima do considerado normal (200mg/dl). Além disto, 8% das pessoas até 24 anos ultrapassaram esse limite. Indica-se que mesmo antes dos 18 anos se realizem exames de dosagem de colesterol para que se detectem problemas hereditários.
Estimativas apresentadas pela OMS – Organização Mundial da Saúde apontam que as doenças cardiovasculares no Brasil deverão crescer 28% até 2020. Os males do coração e do sistema circulatório causam, hoje, 35% de todas as mortes no país. Em relação às diferenças regionais, a campeã invicta na incidência de colesterol elevado é a região Sul, com índice de 24,3%. Os dados revelam uma mudança negativa de hábitos na sociedade o que confirma que a vida moderna traz conseqüências prejudiciais à saúde.
O combate aos fatores de risco das doenças do coração deve começar pela escolha de uma alimentação adequada. “Mais de 50% da população que sofreram de infarto ou arritmias morreram pela boca” relata o médico. Na própria infância, o tradicional arroz com feijão e salada vem sendo substituído pelos abomináveis hambúrgueres, excesso de doces e salgadinhos industrializados. Obesidade, diabetes e hipertensão, males fáceis de serem adquiridos com tais hábitos.
Além do controle da alimentação, a prevenção deve vir acompanhada de atividades físicas, com orientação médica. A sua regularidade pode levar à formação de novas artérias, suprindo as funções das obstruídas. Os exercícios interrompem ainda o crescimento da placa de gordura e o mais importante é que fazem “brotar” arteríolas que suprem a irrigação.