“Meu filho não come.” Essa é a queixa principal dos pais de crianças em idade pré-escolar, entre 3 e 5 anos. Nesta faixa etária, crianças realmente comem menos por vários motivos.
Os pais devem tomar cuidado com a preocupação exagerada. O apetite das crianças diminui nesta fase porque, ao entrar no segundo ano de vida, o ritmo do crescimento cai, e por isso a necessidade de calorias diárias também. Isso vai refletir na fome da criança.
Além das necessidades alimentares diminuírem nesta faixa de idade, a falta de apetite dos pequenos também pode estar relacionada ao comportamento dos pais. Na ânsia por ver o filho comendo bastante, os pais acabam caindo em armadilha comportamental e esse tipo de inapetência é conhecido como falta de apetite originada no comportamento dos pais. O melhor é evitar tais comportamentos, pois mudá-los não é fácil.
À mesa com a família
Para a pediatra, Dra. Clarice Arns da Cunha Warneck, o comportamento da família na hora das refeições deve ser normal “a criança deve sentar a mesa com os pais e demais familiares em cadeira adequada à sua idade. Os alimentos habituais da família devem ser oferecidos a criança, adaptando-se à sua consistência. Ela deve ser estimulada a comer sozinha, recebendo ajuda quando necessário.” O ideal é que o prato da criança tenha o cardápio do dia, sem obrigá-la a comer.
O exemplo está em casa
A médica lembra que as crianças seguem o exemplo dos pais. Se a família não tem hábitos alimentares saudáveis, provavelmente a criança também não terá. “Os hábitos alimentares adquiridos na infância mantêm-se por vários anos.”
Os vilões da boa mesa
Os grandes vilões da alimentação, como o sal, gordura e açúcares, chegam cada dia mais rápido ao conhecimento das crianças, principalmente pela mídia. A pediatra chama atenção para que os pais não deixem seus filhos substituir as refeições por guloseimas, por prejudicar o estado nutricional. Deve-se evitar o excesso e deixá-las fora do horário das refeições.
Os refrigerantes também devem ser evitados, dando preferência aos sucos naturais.
Mesmo com as dicas o pediatra é o único que tem condições de diagnosticar se a diminuição de apetite da criança é natural, de origem comportamental ou orgânica. Neste último caso pode ser alguma doença a ser investigada ou até mesmo carência nutricional e sais minerais. Somente o pediatra poderá prescrever o melhor tratamento: mudanças de hábitos ou ingestão de suplementos e estimuladores de apetites.